August 01, 2009

a esperança é um cacto. você olha ao redor, tudo é deserto. nem sinal de água, nem sinal de ninguém. e ela continua lá, resistindo. é um cacto, daqueles de braços abertos pro nada, querendo que um louco qualquer se arrisque ao abraço. às vezes, dá até flor. e só pede, em troca, que você espere junto com ela, que crie raízes, que se prenda ali. um cacto. e eles machucam.
é cedo e eu não consigo dormir. mas não consegui mesmo quando era tarde. me falta sono, palavras, certezas, um balde d'água, um extintor, um exorcista, um alicate. qualquer coisa que me aliene, alivie ou apague. que arranque de mim esse maldito ponto que cresce mesmo sem luz, sem ar e sem vontade. que vai se arrastando pelos dias afora e que me arrasta junto. pra perto, mesmo longe, de você.

May 22, 2009

decidir roupa, tema, lugar, discurso e a porra toda de formatura,tenho que admitir, anda me deixando meio nostálgica, pra não dizer deprimida. tá, é muito provavel que as lágrimas que se formam agora no cantinho dos meus adoráveis olhos sejam meros frutos da TPM ou da piaf cantando no meu pé do ouvido, mas eu não posso negar que relembrar os últimos dois anos e meio, que passaram voando, é algo que me aperta o coração. no princípio era o verbo... transitivo, intransitivo... e, no vestibular, eram apenas aqueles malditos concorrentes: o cara que passou mal, o gracinha a quem eu dei um chocoalte, a amiga da nathália... quem diria que eles se tornariam o meu grande confidente willian, o ainda gracinha e batuqueiro pra caralho do carlyson, a minha quase-alma gêmea suzy? e, de um minuto pro outro, - quase - todos aqueles desconhecidos que entraram naminha vida sem pedir licença, se tornaram indispensáveis. no dia da matricula, pareciam que os deuses tinham mandado aquela chuva comoum sinal de que o que estava começando ia dar errado. e o que deu errado foi o plano dos deuses. ha-ha-ha! quase que o sol aparece quando a gente entrou na sala do bispo pra pegar a assinaturano comprovante de matricula, cantando 'malandrinha'. formaram-se grupos, formaram-se laços. formaram-se nós. e um belo trocadilho! e as malditas coisas tornaram-se bênçãos. pegar ônibus cheio, virou motivo de ansiedade. assistir aulas intermináveis, virou motivo de riso (pra infelicidade de alguns professores). e, num lugar onde encontrar desistimulo é quase certeza, um encontrou no outro um motivo fortíssimo pra seguir em frente, quatro anos adiante. e é provável que boa parte de nós não tenha aprendido muito sobre o que se veio aprender. afinal de contas, alguém se lembra do que se tratava o livro do franz bouas da aula de antropologia? dúvido! mas eu sei ninguém esqueceu do willian levando 'correr atrás do ônibus' ao pé da letra. alguém sabe do que se trata o juízo de gosto de kant e a sua maldita complacência? não! não! não! mas até hoje todo mundo ri quando vem a imagem mental do bispo irritado com as gargalhadas e, mais ainda, com o 'eu não estou rindo, eu estava rindo'. skinner? kotler? eco? pierce? santaella? no máximo, associar autores às matérias... tirando a manaíra, quem poderia dar uma explicação de cinco minutos sobre meios quentes e frios, primeiridade, fase oral, populismo, descartes, a importância da universidade na formação da opinião pública, release, pirâmide invertida, os quatro Ps do marketing? o que foi que o décio pignatari disse mesmo naquele debate? afinal de contas, alguém aí já descobriu o que é o belo? do venha ver o pôr-do-sol, todo mundo lembra, mas porque foi impossível esquecer aquela primeira aula de português como maluco do nilton. impressões? sensações? as melhores. e mais um ciclo está se encerrandonas nossas vidas. ah, e não posso deixar de citar nossos amigos e rivais: os jornaleiros. depois de um tempo, a gente até aprendeu a gostar das focas que seriam capazes de equilibrar até um navio naqueles focinhos - digo, narizes, empinados! sairemos dessa faculdade um pouco melhores e um pouco piores. mas só de estarmos completamente diferentes, já é um grande passo. e ninguém poderá dizer que nós não tomamos um vinho no pátio, organizamos um evento, ganhamos dinheiro, namoramos nem fomos felizes... ou será que a gente finalmente vai receber um e-mail da jackeline?! :O

March 19, 2009

chorando, semi-desesperada, sentindo o peso das perguntas, sem saber como deixar tudo pra trás. sabia que tudo tinha sido tão bonito, mas os dias se passavam e nada melhorava. já tinha me cansado dessa guerrinha, já tinha perdido tudo que tinha a perder. mas os dias se passavam e... há muito, já era hora de entender que não era culpa de ninguém, de enxugar os olhos inchados de chorar milhares de tempestades noturnas só pra tentar afogar os sentimentos ruins. olhei as fotos e vi tudo se desfazer, me perguntei onde as coisas tinham começado a dar errado, tentei endurecer, cansei de procurar desculpas pra me sentir bem, então os dias começaram a passar e as coisas ficaram, de fato, um pouco melhores. o fato é que ele despertou o que havia de melhor e pior em mim, me ofereceu tudo o que poderia, sem egoísmos. e, por esses motivos, eu não poderia esquecer ou substituir os momentos doces que havíamos passado juntos. e, por mais que nós não devêssemos ter desistido tão facilmente, eu sei que ficar longe era a melhor opção pra nós dois. e que, no fim das contas, a gente ia acabar se encontrando no final de alguma estrada. enquanto isso, os dias passavam e... no meu maldito coração burro, sempre haveria um lugar pra ele. o que mais me magoava e me deixava confusa era isso.

February 25, 2009

não teve sequer um segundo para analisar como se sentia. poderia dizer, apenas, que era como se houvesse uma pedra de gelo no lugar do seu estômago. não, aquilo era pouco. era como se toda a geleira do alasca tivesse mudado para o seu estômago. pensou que fosse vomitar, mas, provavelmente, eram só pinguins, focas e ursos extasiados pela mudança de ares tão repentina.
e quanto mais ele lançava toneladas de palavras que remetiam a idéia de que eu era sem coração, mal-educada, infantil, egoísta e insensível, eu divagava sobre quantas vezes seriam necessárias bater com a cabeça dele na parede em que ele estava encostado até que ele parasse de falar - para sempre. e um sorriso cruel foi se esboçando nos cantos dos meus lábios. o sorriso veio da idéia de que a parede ficaria completamente manchada de sangue e que ele seria como um dos mortos daqueles filmes que satirizam filmes de terror: continuaria tagarelando enquanto seus miolos atingiam os pobres transeuntes. foi ali que eu percebi o quanto a situação era triste. tudo que o antingia me fazia feliz. me deliciava tudo que doía nele, mesmo que eu só fosse capaz de machucá-lo em pensamento. porque - oh, deus - eu preferia que centenas de raios me atingissem a vê-lo cortar o dedo com o papel. claro, no momento, a coisa que eu mais queria era cortar a cabeça do indivíduo fora com papel. serrar a cabeça dele, com papel. depois picotear a cabeça dele com o mesmo pedaço maldito de papel. mas essa sensação estranha, esse ódio repentino, era algo que passaria, não era? porque além de o fato de ele ser o pai do meu possível filho, quando o papel ficasse ensaguentado, ele amoleceria e não cortaria mais nada. o que seria muito frustrante. enfim, não era essa a questão. a questão era: será que eu me sentia tão irritada por ter sido feita de idiota? ou será que a hipótese - mais idiota ainda - dele estava certa? eu só tinha levado a discussão adiante demais por ciúmes? agora aquilo pouco importava. havia algo mais importante a se descobrir...

January 09, 2009

- eu só queria voltar pra esse mesmo dia, há dois anos atrás.

não, nada aconteceu. esperava que, ao dizer tais palavras, sentisse um dèja vu e, quando viesse à tona da sensação, estivesse de volta ao passado, tendo, nas mãos, as chances de fazer tudo diferente dessa vez. é incrível como alguém pode-se apegar a uma coisa tão improvável e sentir-se desapontada ao ver que tudo era exatamente como deveria ser? o tempo redime, muda, ajuda, mas nunca volta atrás. ou seja, ele faz tudo, menos o que poderia ser mais útil em sua vida.

i do, i do, i do believe...

porque é preciso acreditar. nas pessoas, nos sentimentos, os horóscopos, em deus. porque eu preciso acreditar que vai melhorar, que acontece, que é verdade, que vai dar certo. e, agora mais do que nunca, eu acredito.
quando um ciclo se fecha um outro abre em seguida. a vida segue seu curso e as mudanças são necessárias, você querendo ou não.

talvez acreditar não seja assim tão má idéia... :)

November 29, 2008

a eternidade pode parecer um segundo
e um segundo pode parecer uma eternidade.
é tudo uma questão de sua ausência.

mas... já? :~